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6 de mar de 2012

Caso Lúcio Flávio: a briga está só começando

Por: Manuel Dutra

Imagem: capitaoassis.blogspot.com
As tentativas de censura ao Jornal Pessoal, de Belém, e a seu único jornalista, Lúcio Flávio Pinto, finalmente motivaram a classe dos jornalistas, ou ao menos parte significativa dela, a levar o caso adiante. Estão convencidos de que a perseguição via judicial recai abertamente sobre um profissional, mas cujo objetivo maior é quebrar as conquistas democráticas da Constituição de 1988, na qual está consagrado o princípio civilizado da liberdade de opinião, o direito de informar e de ser informado.

Antes eram os militares e a sua ditadura. Agora é a ação de alguns juízes que, ao contrário de defenderem as liberdades públicas, atendem aos apelos de grupos de poder para acobertar a trama dos interesses mais escusos possíveis.

O Sindicato dos Jornalistas Pará está mobilizando os seus associados e todas as pessoas que se revoltam contra esse retrocesso institucional, a tomarem posição firne em favor de Lúcio e das liberdades públicas.

Para isso, o sindicato está elaborando documentação a mais completa possívela fim de informar a Federação Nacional de Jornalistas, com sede em Brasília, para que o caso ganhe repercussão no Congresso Nacional. Prepara também denúncia a ser apresentada ao Conselho Nacional de Justiça, o CNJ, mostrando a forma como o juiz Amílcar Guimarães, na qualidade de juiz substituto, condenou o jornalista num dos 33 processos a que responde, ao arrepio da legislação.

Esse juiz ainda se deu à pachorra de publicar no Facebook impropérios contra o jornalista que ele mesmo condenou de forma absolutamente injusta em processo irregular. Está também sendo preparada pelo Sindicato dos Jornalistas do Pará a formalização de denúncia à Organização dos Estados Americanos, a OEA, mostrado a situação do jornalista paraense, assim como outras tentativas via judicial de reimplantar a censura no Brasil.

Dessa forma, o drama pessoal de Lúcio Flávio Pinto extrapola o seu calvário individual para se tornar a pedra de toque de uma situação política regional e nacional. Igualmente como a sua luta vai, aos poucos, sendo incorporada por importantes setores sociais que não toleram a ação impune dos inimigos da democracia, a ação impune dos grileiros e devastadores das riquezas da Amazônia, a ação impune de notórios corruptos. Os inimigos da sociedade podem tentar quebrar um fio da meada, mas quando os fios se unem, difícil quebrar a corda da solidariedade e da luta por uma sociedade decente.

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