9 de jan de 2014

A visão da mineração e a suposta ameaça garimpeira

Nesta notícia, publicada pelo canal BBCBrasil.com, nota-se a deturpação da situação dos garimpeiros na região.
Fala em "pé de guerra com grandes empresas mineradoras", mas poucos sabem que esta disputa já teve a morte do geólogo Nelson Bueno (crime ocorrido em Manaus e até hoje não solucionado), a morte do advogado Dinho em Itaituba (caso ainda não julgado), ameaças de morte constantes e tenta imaginar os garimpeiros em extração de borracha e agricultura de subsistência.
Tudo em volta da Ouro Roxo e da vila de São José, em Jacareacanga.
A Ouro Roxo Participações S.A. é uma holding formada pela Planalto DL Participações S.A. e a Albrook Gold Corporation, fundada em junho de 2009, que negociou a área, conseguiu a prioridade no DNPM e vem tentando desalojar os garimpeiros seguidamente.
E a deturpação da nota, com referencia a comércio de drogas, prostituição e ameaça de morte mostra que o jogo da holding está ficando pesado. Os principais representantes da Ouro Roxo, que tem ou tiveram atividades comuns na região são Dirceu Frederico, atual Diretor de Planejamento da Prefeitura de Itaituba e José Alírio Lenzi, geólogo muito conhecido na região.

Na extraordinária corrida que se seguiu à descoberta do ouro na bacia do rio Tapajós, em 1958, dezenas de milhares de garimpeiros se instalaram no local. Apenas alguns enriqueceram. Mas a maioria conseguiu melhorar de vida, tendo lucrado mais do que se tivesse continuado extraindo borracha, pescando ou investindo na agricultura de subsistência. Apesar de a atividade de ter diminuído nos últimos anos, muitos homens ainda trabalham de forma primitiva em minas de ouro ainda não cadastradas.

A descoberta de vastas reservas do metal precioso no subsolo coloca os garimpeiros em pé de guerra com as grandes empresas mineradoras, que reivindicam o direito de tocar essas riqueza, inacessíveis pelos métodos artesanais. A aldeia de São José, que fica às margens do rio Pacu, no sul do Pará próximo ao Amazonas, está no centro de um conflito entre garimpeiros e a companhia Ouro Roxo Participações.
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Incrivelmente contraditório é o artigo postado no blog Língua ferina, onde as repórteres Sue Branford e Nayana Fernandez contam que a vida na vila de São José é " também uma verdadeira comunidade, na acepção cristã do termo, com famílias, escola, posto de saúde, várias igrejas, festas comunitárias, organização política própria e regras que eles mesmos implantaram e que o grupo respeita e faz valer. O lugar parece tranquilo, segundo relatam os moradores, quase não ocorrem roubos e as drogas não entram. É uma vila agradável, um dos lugares mais hospitaleiros que conheci. Não há mendigos e quando alguém atravessa dificuldades, sempre conta com a cooperação da comunidade."
Neste artigo, as repórteres mostram como a empresa está atuando na área, inclusive, escrevem que " vimos tanques cavados na terra, revestidos apenas por uma fina lona preta, muitas vezes, rasgada. Segundo os empregados da mineradora, nestes tanques, o curimã é misturado com o cianeto. O órgão ambiental indicou que a lona plástica deveria ser substituída por polietileno de alta densidade. Não só continua a lona, como também, agora, está rasgada, deixando o produto em contato direto com o solo. Antigos empregados nos confirmaram que as condições de segurança eram mínimas e acidentes sérios já aconteceram, como o caso de um homem que caiu em um desses tanques e ficou próximo de morrer." 

E, mesmo com as denúncias, o IBAMA, a SEMA e o DNPM continuam incólumes ao acontecimento.

Fonte: Agonia ou Êxtase

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