19 de jul de 2016

Briga familiar motiva muitos desaparecimentos no Pará.

O Serviço de Localização e Identificação de Crianças e Adolescentes Desaparecidos (Silcade), da Polícia Civil paraense, registra uma média de 135 desaparecimentos por mês. Uma média de 4,5 desaparecidos por dia no Estado. E a Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data), onde funciona o Silcade, consegue ter êxito de localização em aproximadamente 70% dos casos, após 72 horas do registro do desaparecimento. O Pará é um dos 15 estados brasileiros a dispor desse tipo de serviço. “Tivemos redução em 80% dos índices quanto à reincidência em casos de desaparecimento, em 2016”, disse a delegada Adriana Magno, que assumiu a direção da Data em janeiro deste ano. “Hoje, de cada dez crianças e adolescentes que desaparecem, apenas duas voltam a fugir”, acrescentou.

Segundo a delegada, ao contrário do que ocorria antes, agora se estuda a motivação dos desaparecimentos, e o levantamento revelou que 80% dos casos são motivados por conflitos familiares – pais que, por exemplo, não concordam com o namoro dos filhos ou que não deixam que eles frequentem festas. Outros 15% têm a ver com o uso de drogas ou com a prática de pequenos furtos, mas tudo relacionado a entorpecentes. E 5% compõem crimes de maior repercussão: prostituição infantil e subtração de incapaz (menor de dezoito anos ou interdito ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou de ordem judicial).


“Com base nesses números, trabalhamos em cima dos 80%. Começamos a trabalhar as famílias, com visitas assistidas por assistentes sociais, programas de apoio do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e apoio do Conselho Tutelar. E com isso conseguimos reduzir, e muito, as fugas”, disse a delegada.

Os números do Silcade são referentes à Região Metropolitana de Belém e a alguns outros municípios. Ao contrário do que muitas pessoas ainda acreditam, não é necessário esperar 24 horas para fazer o Boletim de Ocorrência. A Lei nº 11.259/2005 (Lei da Busca Imediata) garante a investigação imediata de um caso de desaparecimento de criança ou adolescente.
“O que ocorre hoje é que os pais já viram que, por estatísticas, elas aparecem em 72 horas. Então eles esperam essas 72 horas e, se não aparecem, entendem que é um caso mais grave e começam a denunciar. Mas não existe limite de tempo. Tem gente que, quando a filha não volta da escola, vem aqui para registrar”, disse a diretora da Data. “Por cautela, eu não jogo no site da Data nada com menos de 24 horas, para não expor a imagem da criança e da adolescente”, acrescentou.

Sumiço pode ser precedido de isolamento e uso mais intenso do telefone

Muitos jovens ficam mais introvertidos, mais fechados, se isolam e falam mais ao telefone, antes da fuga. “Mas isso não é regra”, disse a delegada Adriana Magno. Há também adolescentes que desaparecem sem apresentar sinais. Para ela é importante que os pais fiquem atentos à rotina de seus filhos: com quem conversam e trocam mensagens,  os amigos e os locais que gostam de frequentar.

A delegada também orienta a família a tirar a identidade da criança o mais cedo possível, pois isso ajuda nas buscas. Até 72 horas depois do desaparecimento, os policiais fazem um levantamento preliminar. “Normalmente, a gente acerta aí. Depois dessas 72 horas, começamos a mapear ligações, por exemplo, um trabalho mais técnico, mesmo, de polícia”, afirmou.

Assim que o responsável procura a delegacia, a Data entra em contato com a escola  e com empresas de ônibus, mas, ainda segundo a delegada, os pais ajudam muito nas buscas. “Eles dão indícios e a gente vai nos locais indicados. Mas também fazemos a rede de acolhimento”, explicou.

Antes, a criança ou o adolescente era devolvido aos pais, quando localizado. “Só que fugia de novo. Hoje, chamamos os pais e deixamos agendada uma data para que seja feita visita à casa e possamos conversar sobre o assunto, para identificar as razões da fuga. Tem menina que não consegue conversar com os pais. Só com o psicólogo ela consegue se abrir”, afirmou. A faixa de idade na qual mais ocorrem desaparecimentos é entre 13 e 15 anos. E geralmente os menores são encontrados na casa de algum conhecido de escola e de balada, de namorado e de ex-namorado.

A Data funciona em horário comercial na Rua dos Caripunas, entre a Avenida Roberto Camelier e a Rua dos Tupinambás, no Jurunas, mas faz plantão 24 horas para registrar ocorrências e, no dia seguinte, encaminhá-las ao Serviço de Identificação e Localização de Desaparecidos. Quem tiver informação ou souber do paradeiro de crianças ou adolescentes desaparecidos, pode ligar para o Disque-Denúncia (181).

Fonte: O Liberal

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