24 de mai de 2017

CCJE-PA promoverá “Nós de aruanda – Artistas de terreiro”

O Centro Cultural da Justiça Eleitoral do Pará (CCJE-PA), do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), abre nesta terça-feira (23), às 18h, suas portas para “Nós de aruanda – Artistas de terreiro.” Esta é a 5° exposição do coletivo ligado a artistas de terreiro.

“Nós de Aruanda” é organizada e fundada por Arthur Leandro, conhecido no candomblé como “Tata Kimambon”, que convida a todos a irem até o CCJE-PA fazer uma viagem pelo imaginário das Religiões de Matriz Africada existentes no Pará. São elas Mina, Umbanda e o Candomblé, passando pela Pajelança, Encantaria e o Catolicismo Popular.

A exposição terá a entrada franca e na abertura do evento os visitantes serão recebidos pelo grupo de afoxé Rodrigo Kafunguegi e banda Barravento que farão homenagem a Nego Banjo. Os visitantes poderão degustar comidas típicas da cultura como o famoso acarajé de mãe Jucilene de Oyá; Mametu de muagilê; Quitutes de mãe Maiumi de Ogum; Prestigiar ações de poéticas de resistencia e muito mais.

O objetivo do projeto é dar espaço a membros de terreiros que têm trabalhos nas artes visuais, fotógrafa, moda e dança. A exposição, além de mostrar um pouco da cultura e talento afro-brasileiro através da arte, também serve de instrumento para levar ao centro discussões que possam contribuir com a diminuição de preconceitos quando o assunto for terreiro de umbanda. Segundo Adan Costa, estagiário do CCJE e responsável pela organização do evento, “98% dos artistas nunca entraram ou tiveram coragem de participar de uma exposição por medo ou rejeição das pessoas.”

A necessidade de inserção dos artistas de terreiros no circuito de artes visuais surgiu no final de 2011 como um 'insigth' durante as aulas da disciplina "Poéticas Afro-amazônicas" para o curso de especialização em 'Educação para as relações étnico-raciais' ofertado pelo Grupo de Estudos Afro-Amazônicos — GEAAM/ UFPA.

“Foi nessas aulas, que surgiram as ideias e o objetivo de subsidiar o ensino de arte e cultura afro-brasileiras e contribuir com a implantação da Lei 10.639/2003, onde foi percebida que a maioria das obras que a história da arte registra como "arte afro-brasileira" são de artistas euro-descendentes que não fazem parte de comunidades tradicionais de matrizes africanas”, diz Arthur Leandro.

Ele ainda acrescenta. “E ao fim, o que foi percebida foi um olhar preconceituoso sobre as práticas tradicionais afro-brasileira produzida por artistas que apenas se valem da temática étnico-racial para usá-las em trabalhos sem nenhum envolvimento ou aprofundamento sobre a diáspora africana no Brasil”

A questão é que as artes visuais, diferente do teatro, da dança e da música, é o campo mais restrito das ditas linguagens artísticas, e o que foi notado é que as artes visuais parecem um campo fechado de uso restrito das camadas mais abastadas da sociedade – um mundo restrito às elites.

Essa percepção estimulou o Grupo de Estudo e Pesquisa Roda de Axé a iniciar o mapeamento da produção artística nas comunidades de terreiros, e nessa pesquisa - que foi considerada em estágio embrionário e encontraram vários artistas que estão nesse processo de inserção e legitimação no circuito das artes visuais.

A exposição “Nós de aruanda – Artistas de terreiro” foi contemplada pelo edital de pautas do Centro Cultural da Justiça Eleitoral do Pará e abrirá a temporada de programações de 2017.

Serviço:
Evento: Abertura Exposição “Nós de aruanda – Artistas de terreiro”
Local: Centro Cultural da Justiça Eleitoral do Pará (CCJE-PA), localizado na Rua João Diogo, nº 254, bairro Campina
Data: 23/05/2017
Hora: 19h

Faustino Castro
ASCOM 
TRE-PA

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