7 de fev de 2012

Perderemos o ABARÉ?

Estou lhe escrevendo esta mensagem porque soube de uma notícia que muito me preocupou: a possibilidade de perdermos um dos melhores projetos de saúde voltados à população ribeirinha da Amazônia, nosso barco Abaré.
Trata-se de um projeto que surgiu em parceria com o Projeto Saúde e Alegria juntamente com a ONG Terra dos Homens, advinda da Holanda. Falando um pouco do projeto, e na verdade falando apenas o que sei, é que este projeto atua nas comunidades ribeirinhas do estado do rio Tapajós, permitindo a realização de ações que permitem a chegada de profissionais de saúde até localidades que antes, padeciam sem assistência médica. O abaré conta também com ações de promoção de saúde, levando informações e busca ativa de patologias de importância como câncer de colo de útero.
O abaré foi incluído ainda neste ano no projeto pedagógico das novas turmas de residência implantadas no oeste do Pará, em especial servirá para o aprendizado dos médicos residentes em medicina da família e comunidade, bem como treinamento de outros profissionais da área. Recebe recursos do ministério da saúde que giram em torno de 90.000 reais por ano.
A notícia triste é que parece que a parceria entre a ONG terra dos homens e o projeto saúde e alegria terminou, e esta ONG pretende levar o barco abaré para Parintins. O pq disso eu não soube.
Fiquei sabendo disso através do Dr. Fábio Tozzi, que tem ligações com o projeto saúde e alegria.
O que me entristece é saber que sem este instrumento importante que é o Abaré, a população ribeirinha já deixada naturalmente à margem da sociedade também ficará à margem do rio tapajós sem ajuda devida que disponibiliza o abaré às sua saúde.
Meu papel como defensora desta região é alertar o máximo de pessoas que eu puder com relação à isso, na tentativa de formar uma opinião pública tal que possa de alguma forma pressionar os dirigentes públicos em favor desta causa.
Sei da credibilidade e da importância que seu blog tem para a região e é por isso que eu lhe enviei esta mensagem. Quem sabe a imprensa não possa de alguma forma descobrir as verdades que existam por detrás desta história, para que assim ninguém fique prejudicado nesta história.
Não podemos ficar de braços cruzados. Tentarei uma mobilização também nas redes sociais e no meio médico.

P.S: Sou acadêmica de medicina da UEPA e me sensibilizo pelas questões do tapajós.


Obrigada.

Nayarah Potyara de Castro Merovingan
Universidade do Estado do Pará - UEPA

Acadêmica do 11º período de Medicina - Campus XII, Santarém
Membro da Acadêmica de Oncologia do Oeste do Pará - LAOPA/Santarém
Membro da Liga Acadêmica de Clínica médica de Santarém - LACMES

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