4 de dez de 2012

Após ataque de madeireiros, Ibama reforça segurança no Pará


O Ibama enviou mais agentes para a frente da operação “Soberania Nacional” na região de Dom Eliseu, no sudeste do Pará, onde grupos de madeireiros ilegais realizaram neste final de semana ações violentas contra servidores do instituto.

Segundo o Ibama, o primeiro grupo de reforço, com fiscais e homens da Polícia Militar do Pará, chegou ao município na madrugada desta segunda-feira (3). Eles foram deslocados de Marabá, distante cerca de 230 km, onde fiscalizavam carvoarias na operação “Saldo Negro”. "O Ibama manterá sua presença na região e promoverá ações ainda mais duras para combater essas práticas criminosas", disse o chefe da Fiscalização do órgão no Pará, Paulo Maués.

Segundo dados do instituto, apenas com a operação Soberania Nacional, iniciada em setembro, o instituto aplicou R$ 44 milhões em multas e embargou sete mil hectares de florestas irregularmente desflorestadas nestes municípios. "Estamos pressionando quem produz de forma ilegal para fora do mercado e, por isso, a reação desesperada", explica Maués. Segundo ele, uma grande operação já está em planejamento para desarticular o setor madeireiro que se envolveu nos ataques contra o Ibama.

Ameaças em Dom Eliseu

Os conflitos começaram na manhã de sábado (1º). Dois caminhões apreendidos pelo Ibama com madeira ilegal foram retidos por cerca de trinta homens, próximo à ponte sobre o rio Bananal, em Dom Eliseu. Segundo o Ibama, o grupo armado não permitiu a saída dos fiscais por cerca de três horas.

Ainda de acordo com o instituto, os líderes da emboscada foram os mesmos que, no domingo (2), organizaram uma manifestação violenta no centro do município. No protesto, incendiaram pneus e ameaçaram por fogo no hotel onde se hospedavam os agentes federais. Os madeireiros queriam que o Ibama se retirasse da região.

O ato começou às 8h do domingo (2) e terminou somente às 13h, após uma reunião entre a coordenadora da operação Soberania Nacional na região, Taíse Ribeiro, e as lideranças locais, na qual as partes acordaram o fim da manifestação, com a promessa de assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta que está em negociação para o setor, envolvendo Ministério Público Federal, Ibama e as secretarias de Meio Ambiente do Pará e de Dom Eliseu.

Agentes denunciam desaparecimento de indígena

Segundo o Ibama, durante fiscalizações a explorações irregulares de madeira na Terra Indígena Alto Rio Guamá, em Nova Esperança do Piriá, a 400 km de Dom Eliseu, dois fiscais e o cacique Valdeci Tembé, guia da operação, também foram alvos de uma emboscada. A ação ocorreu ainda no sábado (1º), às 19h, mas patrocinada por outro grupo de madeireiros irregulares. Desta vez, foram cerca de 150 homens armados.

De acordo com o Ibama, os fiscais rendidos haviam ficado num trecho da estrada, vigiando uma caminhonete quebrada, enquanto um grupo maior, com seis agentes e oito homens do Batalhão de Polícia Ambiental do Pará, entrou na mata para localizar uma exploração ilegal.

Com a chegada dos invasores, o indígena fugiu para a floresta. Segundo o Ibama, os dois agentes ficaram em poder do grupo de madeireiros até domingo. O coordenador da ação, Norberto Neves, negociou a saída em segurança dos funcionários. Nenhum servidor do Ibama ou policial ficou ferido ou sofreu agressão física.

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