11 de abr de 2013

Governo confirma duas usinas no rio Tapajós

Índios mundurukus
Índios Mundurukus

Representantes do governo negaram que a área onde pretendem construir as hidrelétricas esteja em reserva munduruku

O Ministério das Minas e Energia e a Eletrobrás confirmaram em Belém que estão realizando estudos para construção de mais duas hidrelétricas no Pará. 80 pesquisadores contratados por um consórcio que inclui a própria Eletrobrás e outras empresas de energia no País estão embrenhados na floresta, às margens do rio Tapajós, no Oeste paraense, monitorando fauna, flora, além da enchente, vazante, cheia e seca do rio, considerado um dos mais belos, cuja área é composta por uma das maiores biodiversidades do planeta e com grande potencial energético.

Na semana passada um grupo de índios mundurukus denunciou a presença de militares da Força Nacional dentro da reserva e o cacique veio à capital demonstrar a preocupação da tribo. Porém, representantes do governo federal, em coletiva de imprensa ontem em Belém, negaram que a área onde pretendem construir as hidrelétricas de São Luiz do Tapajós e Jatobá esteja em reserva munduruku. O diretor de Geração da Eletrobrás, Valter Cardeal e o secretário executivo adjunto do Ministério das Minas e Energia, Francisco Romário Wojcicki informaram que a Força Nacional está fazendo a segurança dos pesquisadores que estudam a área. Também garantiram que os índios e as populações tradicionais que habitam na região serão consultadas sobre o projeto e que amanhã (10), em Jacareacanga, haverá o primeiro encontro do governo federal com os mundurukus para tratar sobre o assunto. Porém, consultas às comunidades, como determina a legislação ambiental, só serão realizadas em outra etapa do projeto.

PESQUISAS
O estudo do ciclo do rio Tapajós está sendo realizado desde março pelos pesquisadores em cinco estações construídas ao longo do rio. Animais, vegetais e a própria água estão sendo coletados para a pesquisa que vai indicar a viabilidade da construção das duas hidrelétricas, com base no município de Itaituba, mas que deverão atingir diretamente também Trairão, áreas compostas por populações tradicionais, índios, pecuária, além de garimpos e várias florestas e parques nacionais, que serão atingidos pelo barramento do Tapajós. No entanto, os representantes do governo federal asseguram que o curso do rio não será alterado.
A pesquisa atual vai fundamentar a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA-RIMA), exigido pela legislação, com estimativa de ser entregue ao Ibama, segundo Valter Cardeal, no começo de 2014. A usina hidrelétrica de São Luiz do Tapajós deverá ter capacidade de geração de 8 mil Kw de energia e Jatobá outros 2 mil Kw. Mas o diretor da Eletrobrás afirma que não há previsão para o inicio da construção nem para conclusão e que o custo de todo o projeto deverá se igualar à usina hidrelétrica de Belo Monte, orçada em R$ 25 bilhões até abril de 2010.

Valter Cardeal também afirmou que a possibilidade já anunciada do Ministério Público Federal contestar judicialmente os estudos no rio Tapajós “é um direito que os procuradores têm, assim como é um direito do governo federal recorrer e “provar o outro lado da necessidade de se construir hidrelétricas na Amazônia”.
Ele ressaltou o esgotamento do potencial hidrelétrico dos rios do Nordeste e o grande potencial dos rios da Amazônia para geração de energia considerada limpa e mais barata em relação à energia eólica e solar.
Impactos socioambientais serão menores, diz governo

Contrárias às usinas hidrelétricas anteriores, inclusive Belo Monte, em Vitória do Xingu, sudoeste paraense, as usinas de São Luiz e Jatobá serão diferentes desde a construção. Apesar de afirmar que o impacto das hidrelétricas é sempre positivo, traz desenvolvimento, eles reconhecem que exemplos de impacto social e ambiental como a da usina de Tucuruí devem ser evitados, como os bolsões de miséria ao redor do projeto. Na cidade polo, que deverá ser Itaituba, haverá ações de educação, saúde e segurança pública. Mas segundo Valter Cardeal, o governo federal não vai permitir êxodo de pessoas para a área e a maior parte de floresta derrubada para construção de estradas, canteiros, entre outros espaços, será recomposta com as mesmas espécies vegetais retiradas. É a chamada usina- plataforma, que segundo Valter Cardeal e Francisco Romário é um marco nos projetos hidrelétricos, que vai conferir desmatamento mínimo, cerca de 2% da área das usinas.

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