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CURUAI E JACAREACANGA – TRATAMENTO DIFERENCIADO

Por: Prof. Dr. Eduardo Fonseca.
Extraído do Jornal O Impacto

O prezado leitor ainda deve estar bem lembrado dos dois fatos semelhantes que aconteceram nos dois locais e que ocuparam os noticiários da mídia nacional, neste ano de 2012.

Aqui, na Vila de Curuai, promissor distrito santareno na região do Lago Grande, ocorreu uma morte, que provocou a rebelião da população, quebra-quebra, inclusive com a destruição parcial do posto de Saúde da Comunidade.

Os três (ou cinco) policiais militares ali destacados, por questão de segurança, não puderam fazer nada e uma pessoa, após ter cometido um homicídio, foi morta por alguns membros da população que assim, segundo entendimento deles, estavam dando uma resposta, também violenta, por estarem cansados dos descasos ocorridos ali, principalmente no que tange a segurança pública e mesmo porque esse fato ocorrido no mês de janeiro do corrente ano não era o primeiro a ficar sem solução, num total descaso das autoridades.

Fato semelhante ocorreu, há duas semanas atrás no município de Jacareacanga, muito conhecido, desde a chamada revolução do, na época, Tenente Haroldo Veloso nos idos do ano de 1959. Mais tarde, tomou lugar nos noticiários como importante ponto de apoio aos garimpeiros da região do Tapajós. Hoje é um Município da região Oeste do Pará. Mas um Município, como muitos desses feitos nas “coxas” e com cunho eleitoreiro, instalado sem nenhuma condição de prestar um serviço digno e a contento ao cidadão.



A morte de um índio da etnia dos Mundurukus (povo eminentemente guerreiro, segundo a história das suas origens), estes resolveram “apelar” e fizeram um quebra-quebra, inclusive, destruindo o prédio onde funcionava o destacamento da Polícia Militar, além de manterem como refém, o superintendente da Polícia Civil do Tapajós, o meu prezado amigo, lamentavelmente, flamenguista, o delegado Edinaldo, e outras pessoas da Funai e da própria PM, fato amplamente divulgado em mídia nacional e internacional.

Como o negócio era sério, logo, para ali, se dirigiu o Secretário de Segurança e sua assessoria, como exigido pelos brasileiros, nossos irmãos, índios. Chegaram a um acordo, preliminar e parcial, lá e fecharam aqui em Belém, na presença do governador Simão Jatene, que se apressou em atender as reivindicações dos silvícolas e liberaram os reféns. E com menos de um mês as coisas já começam a acontecer, lamentavelmente já houve até um acidente rodoviário com membros da Polícia Civil do estado do Pará, o que já vem demonstrar um outro problema permanente da região Oeste do Pará: o péssimo estado das rodovias, abandonadas pelos governos, tanto Estadual e Federal.

Para lá prometeram reconstruir o prédio da PM, instalar o Pro Paz, uma delegacia para funcionar a Polícia Civil, que já está em processo de licitação a sua construção. Estão mostrando serviço! Foi divulgado pela imprensa da Capital, na quarta-feira, 18.07.2012, que para Jacareacanga se dirigiu, desta vez, uma comitiva formada pelo Secretário de Estado de Defesa Social: Luiz Fernandes Rocha, Secretária de Estado de Assistência Social: Tetê Santos, o Comandante Geral da Polícia Militar: Coronel Daniel Borges Mendes, o Delegado Geral Adjunto da Polícia Civil: Rilmar Firmino, a Diretora para Educação, Diversidade e Cidadania da SEDUC: Aldeíze Queiroz; o chefe do 3º Núcleo Regional da SETRAN, com sede em Santarém, engenheiro José Merabet; representante da SESPA e da empresa que construirá a Unidade Integrada do Pro Paz.

Mas a Vila de Curuai? Que tem quase os mesmos problemas de Jacareacanga? O que foi feito para lá? Cadê, ou que é de? A escola, a energia elétrica, a água, o trapiche, o mercado, a melhoria das ruas, do telefone, a delegacia, e o local para os policiais militares ficarem? Mesmo Curuai, tendo um filho Deputado Estadual, da base do governo do Estado, com seu domicílio ali na bela e promissora Vila, como ficou a situação? Sabe-se que estavam arrumando nova casa para os PM`s, mantida pela comunidade (vejam só, a presença do Estado!). O cidadão tem que pagar em dobro para ter segurança. Pois, já paga com os seus impostos para o Estado lhe retribuir em obras e serviços. E a segurança é um deles, mas não recebem a contento. E aí ocorre o que é do conhecimento público e comum nessas comunidades e nos garimpos para se ter policiamento fixo lá. Tem que ter a “ajuda” da comunidade, no que se refere a alojamento, alimentação e algumas coisas mais. Com a justificativa de que o Estado não pode arcar com tudo sozinho. Pode?

Lamentavelmente, o Estado hoje, só decide sobre pressão, veja quantas greves estão em andamento no País, todas tem o mesmo motivo, forçar o Estado a cumprir o que está na lei, principalmente, na nossa Carta Magna, a Constituição Federal de 1988. E os governantes resistem em maltratar e desrespeitar os cidadãos.

Os Mundurukus foram criticados, por muitos, pela maneira como foram reivindicar seus direitos, “radicalizaram”. A princípio, só assim, estão conseguindo, os seus pedidos. Vai ser lento, mas já vão começar os atendimentos, pelo menos, para mostrar serviço, neste ano de eleição, mas vão conseguir uma parte. Eu não acredito que os Mundurukus, que lideraram o movimento e por tabela, ajudaram os “brancos” de Jacareacanga consigam tudo. O governo só faz, quando quer e quando lhe é conveniente.

Mas e a Vila do Curuaí? Estão calados desde o que aconteceu, será que estão esperando que acorra um outro fato, talvez pior do que houve lá, no início do ano e que publiquei aqui no IMPACTO sob o título VILA DO CURUAI 2012 – SALVE-NA!? Eu estive lá, em 25.01.2012.

Espero que neste reta final para eleição os candidatos quando ali forem pedir votos, se comprometam com a população que são eleitores dali, para que não fique só no papel e deixe o povo pedir apoio e não sendo atendido, cansados, resolvem transferir seu domicílio eleitoral, como muitos já fizeram, para o vizinho município de Juruti. Ou esperam que os moradores de Curuai venham seguir o exemplo dos Mundurukus, em Jacareacanga?

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