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ADOLESCENTES E JOVENS INDÍGENAS DO TAPAJÓS CRIAM NÚCLEOS DE CIDADANIA EM PROJETO PILOTO NO PARÁ

Mais de 200 adolescentes e jovens indígenas da região do Tapajós participam de atividades que ampliam o protagonismo juvenil em políticas públicas na Amazônia

 

Entre os dias 22 e 28 de março, as prefeituras de Santarém, Itaituba e Jacareacanga-PA, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Instituto Peabiru, o Conselho Indígena do Tapajós e Arapiuns (CITA), a Associação Indígena Pariri e a Associação Indígena Topagã Emanaeyu, realizaram uma série de atividades voltadas à ampliação da participação de adolescentes e jovens em políticas públicas na Amazônia e ao debate sobre mudanças climáticas.

A iniciativa beneficia direta e indiretamente mais de 2.000 adolescentes de 12 a 18 anos, suas famílias, representantes da sociedade civil e gestores públicos, incluindo equipes do governo estadual responsáveis por políticas voltadas a Terras Indígenas e regiões vulneráveis do Pará.

Entre os principais resultados estão:

Criação de três Núcleos de Cidadania de Adolescentes (NUCAs) Indígenas, em Santarém, Itaituba e Jacareacanga, como parte de uma metodologia piloto do UNICEF;

Desenvolvimento de três planos de participação cidadã com foco em meio ambiente e clima;

Formação presencial de mais de 200 adolescentes e jovens indígenas e de comunidades tradicionais da região do Tapajós.

Ao longo de uma semana, foram realizados três eventos oficializando a criação dos NUCAs Indígenas, reconhecidos pelos três governos municipais – na Aldeia Sai Cinza, em Jacareacanga (23/03), na Aldeia Praia do Mangue, em Itaituba (25/03) e Santarém (27/03). A programação incluiu também duas oficinas com adolescentes indígenas, realizadas em Jacareacanga (22/03) e Santarém (28/03), voltadas ao desenvolvimento de habilidades para a vida, com foco em participação cidadã, educomunicação, meio ambiente, gênero e clima. As atividades reuniram aproximadamente 200 adolescentes e jovens indígenas de diversas etnias.

 

Para Mariana Rocha, chefe do escritório do UNICEF para o Pará, ampliar a participação de adolescentes indígenas é fundamental para fortalecer políticas públicas. “É necessário ampliar este diálogo e assegurar a participação de meninas e meninos nas agendas municipais. O Pará tem uma das maiores populações indígenas do país, e as políticas públicas precisam alcançar crianças e adolescentes em seus territórios, garantindo seus direitos”, afirma.

A secretária municipal de Trabalho e Assistência Social de Santarém, Celsa Brito, também destacou a importância da iniciativa para o território. “É fundamental ouvir nossos adolescentes e jovens indígenas para construir políticas alinhadas à realidade amazônica. A diversidade dos territórios enriquece o debate, e o Selo UNICEF é uma oportunidade para unir esforços e fazer com que as políticas públicas cheguem aos territórios indígenas da região”, ressaltou.

Participação indígena e protagonismo adolescente no Selo UNICEF

As atividades na região do Tapajós fazem parte da agenda do Selo UNICEF, edição 2025-2028, iniciativa que apoia 2.277 municípios brasileiros na garantia de direitos de crianças e adolescentes. No Pará, o Selo é implementado com apoio do Instituto Peabiru, parceiro responsável pela assistência técnica no estado.

equidade étnico-racial é um tema transversal nesta edição. No Pará, 143 municípios participam da iniciativa, onde vivem cerca de 2,39 milhões de crianças e adolescentes, além de mais de 78 mil pessoas indígenas e 134 mil quilombolas.

Como parte da metodologia, todos os municípios participantes devem criar ou reativar os Núcleos de Cidadania de Adolescentes (NUCAs), com a participação de meninas e meninos de 12 a 17 anos, incluindo adolescentes indígenas e quilombolas.

Nos 18 estados integrantes da edição atual do Selo UNICEF, 2.103 municípios contam com adolescentes participando dos NUCAs. No Pará, a participação de 3.047 adolescentes está dividida nos 113 NUCAs criados no estado.

Ao participar da cerimônia de criação do NUCA de Santarém, a jovem indígena Maria Suzana Souza Nascimento, da Aldeia Suruacá, do povo Cumaruá, destacou desafios vividos no cotidiano e a relevância da participação. “Os jovens têm um papel central na proteção dos nossos territórios e modos de vida. Mas ainda enfrentamos preconceito na cidade. Às vezes somos vistos de forma diferente, com julgamento. Participar desses encontros é importante porque fortalece nossa voz. Vejo como isso é importante para nós que estamos entre a aldeia e a cidade, buscando oportunidades sem perder nossa identidade”, relatou.

 

Segundo Thaissa Scerne, especialista em desenvolvimento e participação de adolescentes do UNICEF, a iniciativa reforça um direito garantido por marcos legais nacionais e internacionais. “A participação de adolescentes é reconhecida como fundamental para o desenvolvimento individual e para o fortalecimento da cidadania. Criar espaços estruturados de escuta e atuação é parte desse processo”, explica.

Ela também destaca a integração do Selo UNICEF com a metodologia #EntreNoClimaUNICEF, iniciativa reúne integrantes dos NUCAs para discutir sobre mudanças climáticas e realizar atividades relacionadas ao tema - localmente e nas redes sociais: “O Selo é uma iniciativa que articula governos municipais e áreas como educação, saúde e assistência social para o desenvolvimento de políticas públicas inclusivas. O legado que esperamos é a continuidade dessas ações e diálogos, incorporados à agenda do Selo UNICEF por meio dos NUCAs indígenas”, conclui.

Estratégia coordenada no contexto regional

A região do Tapajós, no oeste do Pará, é organizada em três grandes territórios — alto, médio e baixo Tapajós — que apresentam diferentes características geográficas, culturais e socioambientais.

Nesse contexto, o UNICEF tem fortalecido estratégias de participação cidadã por meio de redes, núcleos e iniciativas territoriais que articulam temas como saúde, educação, proteção contra violências, mudanças climáticas e proteção social.

O início das atividades ocorreu em dezembro de 2025, em Alter do Chão-PA, com a participação de mais de 50 adolescentes e jovens indígenas dos municípios de Santarém, Itaituba e Jacareacanga, dando início à construção dos planos de participação cidadã e à mobilização para criação dos NUCAs indígenas em cada uma das cidades.

Adriano do Egito, especialista em mobilização de adolescentes e equidade étnico-racial do Instituto Peabiru, comenta sobre a importância de se abrir caminhos. “Esperamos que o exemplo de Santarém, Jacareacanga e Itaituba possa estimular outros municípios com populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas a promover espaços de escuta e protagonismo destes jovens e adolescentes, essenciais para enfrentar vulnerabilidades e valorizar a diversidade de experiências que marcam as adolescências no país”.

As atividades realizadas na região do Tapajós dialogam com encontros regionais promovidos pelo Selo UNICEF desde outubro de 2025 em diversos estados, abordando temas como mudanças climáticas, equidade étnico-racial, soberania alimentar e água, saneamento e higiene.

Para ações de engajamento e promoção do direito à cidadania de adolescentes e jovens indígenas na Região do Tapajós e Território Munduruku, o UNICEF no Brasil conta com a parceria estratégica de Takeda.

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