COM MEDICAMENTO INOVADOR E OUTRAS AÇÕES, PARÁ REDUZ MAIS DE 18% OS CASOS DE MALÁRIA
No estado, 124 municípios já receberam tafenoquina, medicamento indicado para o tratamento da doença
O Pará reduziu em 18,64% os casos de malária entre
2024 e 2025, mas o avanço no combate à doença esbarra em um desafio
concentrado no oeste do Estado. Somente de janeiro a julho de 2026, 11.346
casos foram confirmados, e 83,72% deles estão na área do 9º Centro
Regional de Saúde. Jacareacanga e Itaituba, municípios marcados pela
presença de áreas indígenas e de garimpo, lideram os registros e, juntos, somam
mais de 8,7 mil casos. Os dados acompanham um período de ampliação das
estratégias de enfrentamento à doença, que inclui a oferta da tafenoquina
no SUS, medicamento utilizado no tratamento da malária, além de ações de
diagnóstico, prevenção e controle.
Dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública
(Sespa) mostram que o Pará registrou 24.297 casos confirmados
da doença em 2024. No ano seguinte, foram 19.767, o que representa
uma redução de 18,64%. Em relação às mortes, não houve óbitos registrados em
2024, enquanto 2025 teve uma morte. Entre janeiro e julho de 2026, também foi
registrado um óbito.
A distribuição dos casos pelo território paraense, no
entanto, revela uma forte concentração. Dos 11.346 registros contabilizados nos
primeiros sete meses de 2026, 9.499 ocorreram na área de abrangência do 9º
Centro Regional de Saúde, o equivalente a 83,72% do total. Jacareacanga aparece
com 6.127 casos, seguida por Itaituba, com 2.589.
Segundo a Sespa, a situação está relacionada à presença de
áreas indígenas e de garimpo nos dois municípios, consideradas prioritárias
para as estratégias de enfrentamento da doença. Somadas, as duas cidades
respondem por 8.716 casos, ou cerca de 77% de todas as confirmações de malária
no Pará entre janeiro e julho deste ano.
Tratamento ampliado
Sobre a oferta da tafenoquina, a Sespa informou que já
disponibilizou o medicamento para 124 municípios paraenses. Desde a
implantação da estratégia no Estado, em 2024, até julho deste ano, 5.433
pacientes receberam o medicamento.
Dentre as ações realizadas pela Sespa, estão: distribuição
dos insumos estratégicos como inseticida, medicamentos e teste rápido para os
13 Centros Regionais de Saúde; distribuição de mosquiteiros impregnados com
inseticida de longa duração, larvicidas aos municípios prioritários do 9º CRS;
e manutenção do Plano de Ação de Controle da Malária nos municípios
prioritários.
Além disso, a Sespa realizou treinamentos para:
implementação da Tafenoquina nos municípios de Mocajuba, Baião, Limoeiro do
Ajuru, Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) Kaiapó e Altamira; e
para aplicação de inseticidas em Saúde Pública pela equipe da Unidade de
Borrifação Vetorial no município de Anajás. A Secretaria acrescentou que
planeja junto ao Laboratório Central do Estado (Lacen-PA) e Centro Regionais,
as capacitações, atualizações e certificações para microscopistas.
"O combate à malária exige a participação de toda a
população. Nas áreas de risco, é fundamental utilizar mosquiteiros, roupas que
protejam braços e pernas e repelente, além de evitar a exposição ao mosquito
transmissor, principalmente nos períodos de maior atividade. Febre, calafrios,
dor de cabeça, fraqueza e mal-estar podem ser sinais da doença. Ao apresentar
esses sintomas, procure imediatamente uma unidade de saúde para realizar o
diagnóstico e iniciar o tratamento adequado. Prevenir, identificar os sintomas
e buscar atendimento rapidamente são atitudes fundamentais para proteger a
saúde e combater a malária no Pará”, detalhou a coordenadora estadual de
Controle da Malária da Sespa, Paola Vieira.
Com medicamento inovador, Brasil registra menor número de
casos em quase 50 anos
Em 2025, o Brasil registrou redução de 30% nas
mortes por malária e de 30,7% nos casos da forma mais grave da doença.
As mortes passaram de 56, em 2024, para 39. No mesmo período, foram registrados
118.037 casos de malária contraídos no território nacional, 15% menos que em
2024 e o menor número desde 1978.
Os resultados foram apresentados nesta segunda-feira (17),
pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em Brasília, no 61º Congresso da
Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop), que reúne profissionais e
pesquisadores para discutir doenças tropicais, entre elas a malária.
Entre os principais avanços nos tratamentos disponíveis no
SUS está a tafenoquina, incorporada em 2023 para pacientes adultos com 16 anos
ou mais e peso de 35 quilos ou mais e cuja oferta começou em 2024. Administrado
em dose única, o medicamento tem ação prolongada e ajuda a evitar que a doença
volte a se manifestar. O medicamento foi utilizado por mais de 33,7 mil pessoas
até junho de 2026. Desse total, 3.920 tratamentos foram registrados em
Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).
“Chegamos à menor taxa de casos de malária dos últimos 47
anos na nossa história. Em 2025, tivemos uma redução de mais de 50% dos óbitos
por malária e registramos o menor número de internações pela doença, com 39
pessoas internadas. O Brasil passa a ser o primeiro país do mundo a incorporar
a tafenoquina ao tratamento da malária”, destacou o ministro da Saúde,
Alexandre Padilha.
Além disso, desde março de 2026, a tafenoquina
também está disponível em uma formulação para crianças a partir de 2 anos e
com peso mínimo de 10 quilos. Até junho, 1.446 crianças e adolescentes haviam
recebido o tratamento no país.

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