STF INICIA CONCILIAÇÃO SOBRE DEMARCAÇÃO DA ÁREA INDÍGENA KAYABI EM MATO GROSSO
Objetivo é buscar solução consensual entre União, estado e comunidades envolvidas
O Supremo
Tribunal Federal (STF) realizou, na manhã desta quarta-feira (25) a
primeira audiência de conciliação na Ação Cível Originária (ACO) 2224, que discute a nulidade da
demarcação administrativa da Terra Indígena Kayabi em Mato
Grosso. A audiência foi conduzida pelo juiz auxiliar Fernando Braz
Ximenes, do gabinete do ministro André Mendonça, relator do
processo.
Proposta pelo Estado
de Mato Grosso, a ação pede a nulidade parcial do decreto presidencial de
24/4/2013 que homologou a demarcação, especificamente no trecho que
reconhece a comunidade parte do
território mato-grossense. A Terra Indígena Kayabi é
composta pelos povos Kaiabi, Munduruku e Apiaká e abrange
áreas nos municípios de Jacareacanga (PA) e Apiacás (MT).
Em 2013,
o então relator, ministro Luiz Fux, concedeu liminar
para suspender o registro da demarcação em cartório
imobiliário e impedir a transferência definitiva da propriedade
até decisão final do STF.
Posteriormente, a
Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a suspensão da
ACO até o julgamento do Tema 1.031 da Repercussão Geral, concluído em
dezembro de 2025, que trata do estatuto jurídico das relações de posse de
terras tradicionalmente ocupadas por indígenas, à luz do artigo 231
da Constituição Federal.
Com
a fixação da tese sobre o tema, Mendonça designou a
primeira audiência de conciliação para esta quarta (25). Segundo o ministro, o
novo cenário jurisprudencial e as tentativas anteriores de acordo
justificam a abertura de novas rodadas de negociação para construção
de solução consensual.
Na audiência
realizada na Sala de Sessões da Segunda Turma, foram colhidas
manifestações da Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso (PGE-MT), da
Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Advocacia-Geral
da União (AGU), da Procuradoria-Geral da República, da
Defensoria Pública da União (DPU), do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e do
Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Também acompanharam a
audiência advogados das partes indígenas e não indígenas já admitidas na ação,
estudiosos e representantes de associações e sindicatos, entre outros
interessados.
Ficou
definido que a PGE-MT e a Funai apresentarão, em até 30 dias, notas
técnicas sobre ações judiciais em curso, áreas de ocupação
indígena, ocorrências de exploração mineral ilegal e
desmatamento, entre outros pontos. As informações subsidiarão reunião
preparatória com os atores públicos envolvidos e a definição do cronograma
de conciliação.
A
PGE-MT destacou a intenção de construir consenso com a
participação de todas as partes, considerando os impactos sociais e fundiários
na região.
(Letícia
Capobianco/AS//JP)

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